terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Pride and Prejudice - Jane Austen


Jane Austen
Orgulho e preconceito

Publicado em 1813, Orgulho e preconceito é o mais célebre romance de Jane Austen. A obra retrata os hábitos de famílias de proprietários de terra do interior da Inglaterra, sob a perspectiva das relações sociais e das atividades cotidianas. Seus personagens são descritos mediante um olhar aguçado e irônico, capaz de penetrar nas sutilezas do comportamento humano, e as complexas tramas que unem os membros de diferentes famílias explicitam os preconceitos existentes entre classes sociais distintas e relações de interesse que, muitas vezes, privilegiam aparências e convenções. O principal par romântico de Orgulho e preconceito, formado por Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, enfrenta uma série de desencontros advindos de suas próprias posturas orgulhosas e julgamentos prévios equivocados. À medida que os episódios se desenvolvem, em meio a bailes e jantares, visitas e casamentos, viagens e recepções de regimentos militares, as farpas trocadas entre os dois se convertem em cumplicidade amorosa.
A atualidade de Orgulho e preconceito reside em sua capacidade de criar situações que despertam o riso e a emoção, ao mesmo tempo em que promovem reflexões sobre o convívio e os laços afetivos. A liberdade intelectual da protagonista Elizabeth Bennet possibilita uma perspectiva privilegiada dos fatos e relacionamentos, complementando os comentários irônicos do narrador. Circunstâncias e personagens materializam virtudes e vícios presentes no cenário social inglês do final do século XVIII e início do XIX.
O destaque conferido a substantivos abstratos nos títulos dos livros de Jane Austen (como também é o caso de Razão e sensibilidade) ressaltam a preocupação da autora em explicitar os eixos fundamentais que regem a conduta dos personagens. Ainda hoje, a popularidade das narrativas de Jane Austen, evidenciada por sucessivas adaptações cinematográficas e teatrais, reforça a construção engenhosa existente por trás de um estilo simples e aparentemente despretensioso.

1. Qual o principal objetivo de vida da Sra. Bennet? Em que medida o comportamento dela em relação às filhas reflete interesses e convenções sociais?
Um dos principais elementos de ironia presentes no romance pode ser identificado na caracterização da Sra. Bennet. A preocupação central de sua vida é assegurar bons casamentos para as cinco filhas, e seus critérios para a escolha de bons partidos envolvem fortuna, prestígio e honra. O desejo de ascensão social faz com que ela incentive o relacionamento de sua filha mais velha, Jane, com o Sr. Bingley. Da mesma forma, ela passa a bajular o Sr. Collins quando cogita a possibilidade de uni-lo a Elizabeth. Seus sentimentos oscilam de acordo com as circunstâncias, e a aceitação de Wickham está diretamente ligada ao casamento oficial com a filha Lydia. Um comportamento análogo pode ser identificado na mudança de atitude em relação ao Sr. Darcy, que passa da antipatia inicial para a aprovação definitiva, uma vez feita a proposta de casamento a Elizabeth. (capítulos 1-3, 50 e 55)
2. Que acontecimento dá início às críticas de Elizabeth ao Sr. Darcy? Que elementos contribuem para que ele seja considerado um homem orgulhoso?
Durante o baile em Meryton, Elizabeth ouve os comentários pouco elogiosos do Sr. Darcy, que a considera apenas tolerável. Decidida e racional, ela passa a considerá-lo um homem orgulhoso e prepotente, já que seus modos secos e rudes o configuram como um proprietário rural que despreza os membros de classes economicamente menos favorecidas. A pouca sociabilidade e a aparente antipatia de Darcy fazem com que toda a comunidade rural adquira uma visão semelhante à dela. Em seguida, as intrigas espalhadas por Wickham e as atitudes de Darcy em relação ao possível casamento de Bingley e Jane reforçam seu julgamento inicial. (capítulos 3-5 e 9)
3. Que plano foi tramado pela Sra. Bennet durante a primeira visita de Jane a Netherfield? De que modo Elizabeth acabou envolvida na situação?
A Sra. Bennet resolve auxiliar a aproximação entre Jane e o rico Sr. Bingley. Para tanto, envia a filha a Netherfield sem carruagem em um dia de tempo chuvoso. Jane chega com sintomas de resfriado, e os anfitriões se recusam a permitir que ela volte para casa. Preocupada com a saúde da irmã, Elizabeth resolve visitá-la e permanece na mansão até seu completo restabelecimento. Por meio do estratagema criado pela Sra. Bennet, as relações entre as famílias se estreitam apesar das diferenças sociais. Jane e Bingley aproximam-se, e Elizabeth trava contatos com o Sr. Darcy e os membros da família do locatário de Netherfield. (capítulos 6-8 e 12)
4. Quais críticas Caroline Bingley fazia à família Bennet? Que interesses influenciavam os comentários dela?
Caroline Bingley explicita os pontos de vista dos grandes proprietários de terra ingleses em relação às classes sociais menos favorecidas. O comportamento por vezes extravagante e pouco polido da família Bennet era alvo das censuras dela. Embora reconhecesse que Jane e Elizabeth apresentavam um comportamento mais refinado, ela não considerava a primeira uma esposa adequada para seu irmão e, já que pretendia se casar com o Sr. Darcy, tratava a segunda com pouca consideração. Suas intrigas são obstáculos para o sucesso das relações afetivas entre esses possíveis casais. (capítulos 9-11, 18 e 45)
5. Qual era o real motivo da primeira visita do Sr. Collins a Longbourn? Em que medida ele estava envolvido com a herança da propriedade?
Responsável pelo presbitério em Hunsford, o Sr. Collins surge em Longbourn para encontrar uma esposa e constituir família, servindo de exemplo aos membros de sua paróquia. Único herdeiro do Sr. Bennet, cujas posses não poderiam passar para uma mulher, sua intenção é casar com uma das primas, o que a Sra. Bennet vê com bons olhos. No entanto, Jane, a primeira jovem por quem o visitante demonstra interesse, parece estar comprometida com o Sr. Bingley; Elizabeth, sua segunda opção, declina a proposta de Collins, que resolve se casar com Charlotte Lucas. (capítulos 5, 13-7, 19-20, 22-3 e 38)
6. Que motivos levaram ao distanciamento entre o Sr. Bingley e Jane? O que fez com que o casal se reaproximasse?
O relacionamento entre classes sociais diferentes é um dos principais temas de Orgulho e preconceito. Durante a permanência de Jane e Elizabeth em Netherfield, o tratamento dispensado pela família Bingley é acolhedor e hospitaleiro. Ainda assim, nota-se um distanciamento e algumas críticas quanto à posição social das irmãs. Apesar de demonstrar simpatia pela hóspede, Caroline Bingley não considera adequado o relacionamento da jovem com seu irmão. Suas intrigas são reforçadas pelo Sr. Darcy, que não acredita que Jane realmente ame seu amigo. Desiludido, Bingley parte subitamente de Netherfield. Ele e Jane se reaproximam quando o Sr. Darcy revê seus conceitos e promove o restabelecimento de suas relações. (capítulos 21, 24, 26, 34, 54-5 e 59)
7. Qual era o principal interesse das filhas mais novas do casal Bennet? Em que medida eram diferentes das mais velhas e qual era o papel do Sr. e da Sra. Bennet nessas diferenças?
Lydia e Kitty, as filhas mais novas dos Bennet, são apresentadas de modo irônico e bem-humorado como moças fúteis e provincianas, em contraposição à postura racional e ajuizada de Jane e Elizabeth. O principal interesse das mais novas é conhecer rapazes do regimento militar acampado em Meryton. Já Mary demonstra interesses puramente intelectuais, explicitados por meio de preocupações exageradas com a doutrinação moral. As diferenças de comportamento que individualizam as filhas do casal Bennet podem ser atribuídas às personalidades dissonante do Sr. e da Sra. Bennet. O pai é um homem comedido e razoável; já a mãe é uma mulher extravagante e descontrolada. (capítulos 7, 15, 39, 41-2)
8. Como a opinião de Elizabeth sobre o Sr. Darcy e Wickham se altera?
Conforme Elizabeth descobre na carta enviada pelo Sr. Darcy, Wickham apresentava um caráter duvidoso. Além de ter mentido sobre as reais razões do rompimento da amizade dos dois, ele era interesseiro e oportunista. Elizabeth toma consciência do julgamento errôneo que fizera acerca dos dois cavalheiros e percebe que cometera um equívoco ao acreditar nas palavras de Wickham. Seu preconceito em relação a Darcy fora responsável pelo desenvolvimento de afetos distintos: a rejeição dos sentimentos expressos por ele e uma possível inclinação a Wickham. Quando a verdade é revelada, ela se despe de seu orgulho e procura corrigir sua visão preconceituosa. (capítulos 16, 18, 35, 40)
9. Que circunstâncias contribuem para que Elizabeth se apaixone por Darcy?
Quando ela constata que a versão de Wickham sobre o passado do Sr. Darcy era falsa (e que, portanto, Darcy não fora injusto em relação ao filho do empregado), suas opiniões iniciais começam a ser alteradas. O crescente interesse de Darcy por ela conduz a uma progressiva simpatia por parte da jovem, ainda que com inúmeras reservas. A longa carta que Darcy escreve, explicando os motivos da desavença com Wickham e as razões do afastamento entre Jane e Bingley, contribui para que a jovem se dê conta de seus próprios preconceitos. Mas é somente durante a visita à propriedade rural de Pemberley que Elizabeth começa a enxergar Darcy definitivamente sob outro prisma. Os elogios feitos pela caseira do lugar, bem como o tratamento respeitoso que ele dispensa aos Gardiner, tornam possível uma revisão completa do primeiro julgamento dela. Finalmente, o auxílio prestado para salvar a honra de Lydia põe fim a qualquer barreira que pudesse impedir o amor entre Elizabeth e Darcy. (capítulos 17, 25-6, 32-3, 35-6, 40, 43-4, 52, 57-60)
10. O que a fuga de Lydia e Wickham revelou sobre o caráter dos dois? Que opinião sobre as relações sociais está implícita na união do
casal?
No fim do romance, o suspense criado pela fuga de Lydia com o oportunista Wickham reforça a futilidade da jovem e os vícios do cavalheiro. Ela é apresentada como uma moça frívola que não se preocupa com a reputação dos Bennet; ele é egoísta e deseja melhorar de vida a qualquer preço. Um escândalo ameaça a família Bennet, uma vez que a união de um casal antes da oficialização do matrimônio era malvista. A preocupação dos familiares com a imagem diante da sociedade estava ligada a questões de honra e a valores morais característicos de um tempo no qual as mulheres eram destinadas à reclusão da vida doméstica. (capítulos 46-53)
11. Qual é a função desempenhada pelas cartas trocadas ao longo do romance?
Correspondências trocadas entre os personagens são apresentadas no decorrer da história, silenciando a voz do narrador e fazendo emergir as perspectivas dos personagens. O objetivo desse recurso é tornar a obra ágil, fazendo com que leitor e personagens sejam informados, ao mesmo tempo, acerca dos acontecimentos recentes.
Intrigas são formadas e solucionadas mediante a correspondência epistolar entre os membros de diferentes famílias. O Sr. Darcy escreve uma longa carta para Elizabeth, falando sobre o caráter de Wickham e o relacionamento de Jane e Bingley. O Sr. Collins escreve ao Sr. Bennet anunciando visitas e demonstrando solidariedade com os problemas familiares. Jane escreve para Elizabeth e discorre sobre a fuga de Lydia e Wickham. Já Elizabeth escreve para a Sra. Gardiner para obter informações sobre o Sr. Darcy.
12. Em que medida lady Catherine de Bourgh contribuiu indiretamente para a união de Elizabeth e Darcy?
A rica protetora do Sr. Collins é proprietária de Rosings e tia de Darcy. Inicialmente, ela acolhe muito bem Elizabeth, quando esta visita Charlotte no presbitério de Hunsford. No entanto, o comportamento da senhora muda quando toma conhecimento da possível relação entre o sobrinho e a filha dos Bennet. Intransigente, lady Catherine vai a Longbourn para expressar seu desgosto com a união, apoiando-se unicamente em preconceitos sociais. Isso faz com que Elizabeth tenha certeza de seu amor por Darcy, e ele acaba tomando conhecimento de um possível interesse da parte dela. Assim, a firmeza de caráter do casal apaixonado supera as oposições apresentadas e consolida o conturbado relacionamento. (capítulos 16, 27-31, 37, 56)

Leituras recomendadas
COPELAND, Edward; McMaster, Juliet (orgs.). The Cambridge Companion to Jane Austen. 2ª ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2011.
GREY, J. David. Jane Austen handbook. Londres: Macmillan, 1986. Honan, Park. Jane Austen: Her life. Londres: Weidenfeld & Nicolson, 1987.
SPENCE, Jon. Becoming Jane Austen. Londres/Nova York: Hambledon and London, 2003. Tomalin, Claire. Jane Austen: A life. Londres: Viking, 1997.



O grupo ficou incumbido de analisar a obra de Jane Austen – Orgulho e preconceito. Para isso, lemos a obra, assistimos ao filme e lemos alguns textos a respeito da obra. Por fim, escolhemos esse texto da editora Penguin - Companhia das Letras, pois ele traz um guia de leitura do clássico da literatura inglesa com um resumo da obra com comentários do ponto de vista histórico e literário.
A obra estudada foi relevante no século XIX, época em que o Romance estava no auge na sociedade. O Romance se firmou em um momento em que havia uma renovação nas demandas por um governo mais democrático e a consciência das injustiças sociais era crescente. A simplicidade e a naturalidade passaram ser marcantes na arte inclusive na literatura.
Jane Austen apresenta em suas obras preocupações neoclássica, romântica e realista com estratégias ficcionais que juntas mostram uma unidade extraordinária. Sua obra é composta por comédias satíricas da vida social e doméstica de uma esfera limitada da sociedade inglesa. Sua personagem principal é uma mulher que sempre segue o padrão da sociedade (o casamento). Assim, o objetivo é conseguir um marido mais velho que fizesse um papel de pai, guia e amante. Seu tema central é o lugar do ser humano dentro da família e da sociedade.

Grupo:
Cleylton Arruda de Carvalho 
Emanuelle Menezes de Morais 
Maria Clara da Rocha Souza 
Paula Melo Matias da Silva
Turma:
LL5/6P30


terça-feira, 27 de novembro de 2012

TEXTO 1 - Leandro Dias. (comentem)




ANAIS DO II ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL.

Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. ISSN 1518-3394.
Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais
A IDEOLOGIA IMPERIALISTA NA LITERATURA COLONIAL INGLESA
Profa. Daise Lílian Fonseca Dias
Doutoranda (UFCG)


       Os termos colonialismo e imperialismo são comumente usados alternadamente. De acordo com o Oxford Advanced Learner’s Encyclopedic Dictionary (1992; minha tradução livre), colonialismo é “uma política de aquisição de colônias e a manutenção delas como dependentes,” ou ainda “uma tendência de um país poderoso de usar suas colônias ou países que são economicamente dependentes dele para seu próprio
benefício econômico e político.” Essas definições não mencionam a presença de povos nativos, nem fazem referência a encontros coloniais, muitos menos ao fato de que as colônias, não eram terras virgens, mas territórios independentes, uma vez que primeiramente pertenciam aos seus habitantes originais, e não eram simplesmente terras desabitadas à disposição de qualquer “país poderoso” que delas quisesse tomar posse. Isso esvazia o termo das implicações que a ele de fato estão atreladas, tais como, opressão, repressão, lucro, comércio, exploração, preconceito, racismo, dentre outros, embora o processo de colonização não tenha ocorrido de modo idêntico nas diferentes partes do mundo, mesmo assim, ele aprisionou os habitantes originais da terra e os colonizadores em um dos mais complexos relacionamentos da história humana. A segunda definição proposta pelo dicionário já expressa o fato de que colonialismo pode ser compreendido como um processo arbitrário de conquista e controle sobre terras, povos e bens para benefício dos colonizadores.
A prática de colonialismo remonta a impérios pré-capitalista (o asteca, por exemplo), e capitalista (o inglês, por exemplo), para usar uma terminologia marxista. De acordo com Loomba (1998, p. 4; minha tradução livre), alguns defendem que “a distinção entre colonialismos pré-capitalistas e capitalistas é frequentemente feita pela referência ao último como imperialismo.” A autora acredita que esse tipo de distinção pode ser confusa, uma vez que ambos remontam a um passado pré-capitalista, inclusive alguns autores consideram o imperialismo anterior à própria prática colonial.
O Oxford Advanced Learner’s Encyclopedic Dictionary (1992; minha tradução livre) define imperialismo como “política de extensão do poder de um país e sua influência no mundo através da diplomacia ou força militar, e especialmente pela aquisição de colônias.” Apesar da semelhança com a definição de colonialismo, muitas são as possibilidades de compreensão para esse termo, as quais se complementam, como a
de Lênin e Kaustsky ainda no início do século XX, entre outros; esses autores deram “um novo significado a palavra ‘imperialismo’ ao ligá-la a um estágio particular de desenvolvimento do capitalismo” (LOOMBA, 1998, p. 5; minha tradução livre). Segundo Loomba, no livro Imperialism, the highest stage of capitalism (1947), os autores defendem que o crescimento do capitalismo financeiro e da indústria em alguns países do Ocidente criou uma superabundância de capital que precisava de novos mercados e de mão-de-obra para atender as necessidades de expansão da metrópole em vários níveis. As colônias ou países não-industrializados escolhidos como alvo não tinham capital, mas abundavam em mão-de-obra, possíveis consumidores, e matéria prima. Assim, os países industrializados subordinaram nações não-industrializadas na busca pela sustentação do seu próprio crescimento.
Esse sistema global chamado imperialismo, pode ser compreendido também como um estágio do desenvolvimento do capitalismo que distinguiria colonialismo e imperialismo. Na realidade, Loomba (1998, p. 6; minha tradução livre) adverte que a direta dominação colonial não é necessária para o imperialismo neste sentido, porque as relações econômicas (e sociais) de dependência e controle asseguram tanto trabalho cativo quanto mercados para as industrias europeias e seus produtos. Às vezes, as palavras ‘neoimperialismo’ ou ‘neo-colonialismo’ são usadas para descrever essas situações. Mesmo o crescimento da indústria européia e do capital financeiro tendo sido conseguido através da dominação colonial em primeiro lugar, nós podemos ver que o imperialismo (neste sentido) é o mais alto estágio do colonialismo.
É importante considerar que as diferenças entre esses termos ocorrem de maneiras distintas dependendo da mutação histórica de cada um. Uma possibilidade de distinção entre eles pode ser conseguida com a não separação de ambos em termos temporais, mas em termos espaciais. Tanto imperialismo quanto neo-imperialismo tem sua origem na metrópole - país imperialista de onde emana o poder controlador - e seu resultado, ou seja, o que acontece na colônia ou na neo-colônia – local dominado seja política, cultural e/ou economicamente da metrópole - isto é, a conseqüência da dominação imperial, tanto pode ser a colonização quanto a neo-colonização, pois o imperialismo pode funcionar sem colônias formais (como no imperialismo americano atual), mas o colonialismo não, assim como mostra Loomba (1998). Assim, no mundo moderno, pode-se compreender o processo de colonização como a tomada de um território, o que inclui a exploração da terra, e conseqüente apropriação de recursos e do povo enquanto mão-de-obra por parte da metrópole imperialista, bem como a interferência dela nos aspectos políticos, econômicos e culturais locais. Já o imperialismo seria um sistema global de dominação - levado a efeito pelo que se chama de potências ou superpotências econômicas e/ou militares - e interferência em países em vários níveis, os quais podendo ser colônias de fato ou não da metrópole imperialista.
Mas, qual a relação desses aspectos políticos, sociais, culturais, geográficos com a literatura? Uma das vertentes pós-modernas da crítica literária encontra-se dentro da grande área chamada de Estudos Pós-coloniais, os quais buscam analisar, dentre outros pontos, as relações de poder em várias esferas – econômica, política, literária, por exemplo - existentes entre colonizadores e colonizados, metrópole e colônia tão discutidas em textos literários ou não, de ambos os lados. Contudo, para tanto, esses estudos tém também a tarefa de compreender o seu próprio nome e as implicações dele. As flutuações dos termos acima discutidos lançam questões pertinentes sobre o próprio termo “pós-colonial.” Como aparentemente a era do colonialismo não mais existe, consequentemente os descendentes de povos colonizados vivem em toda parte, já que até os anos 1930, 84,6 % do planeta havia sido colonizado, como mostra Said (2003); assim, o mundo inteiro pode ser considerado pós-colonial. Além disso, o prefixo “pós” sugere um resultado que envolve aspectos temporais, ao indicar um período posterior, mas também aspectos ideológicos, no que se refere à suplantação. Este segundo ponto tem provocado acalorados debates, especialmente porque se as diferenças “da era colonial ainda não foram apagadas, é talvez prematuro proclamar o fim do colonialismo” (LOOMBA, 1998, p. 7; minha tradução livre), sobretudo porque, como mostra a autora, um país pode ser tanto pós-colonial (formalmente independente) quanto neo-colonial (dependente econômica e/ou culturalmente da metrópole imperialista). Isso acontece em virtude da nova ordem global, a qual não depende da dominação direta. Pode-se, portanto, pensar no pós-colonialismo não apenas como posterior ao colonialismo, mas como “uma contestação da dominação colonial e os legados do colonialismo” (LOOMBA, 1998, p. 13; minha tradução livre). Ou ainda, compreendê-lo como uma forma de contestação, por parte de grupos, pessoas ou indivíduos dissidentes e oprimidos por esses sistemas, e não apenas como uma localidade ou uma ordem social.
Os legados do colonialismo são o resultado da sua atuação tanto interna quanto externas à metrópole. Em suas relações com “o outro” colonizado, o colonialismo criou um discurso de outremização de partes do globo, povos, raças, e gênero, por exemplo – conforme visto em romances tais como Robinson Crusoe (1719), de Daniel Defoe e Mansfield Park (1814), de Jane Austen - baseado em ideologias que buscavam
legitimizar, difundir e perpetuar o que seus praticantes consideravam a superioridade da raça branca e dos europeus, como analisa Said (2003). Segundo Bonnicci (2005, p. 223), “a teoria e a crítica pós-colonialistas, constituindo uma nova estética pela qual os textos são interpretados ‘politicamente,’ baseiam-se na íntima relação entre o discurso e o poder.” Essa equação foi herdada do pensamento pós-estruturalista, e um dos seus grandes expoentes é Foucault, o qual defende que não é possível dissociar o
discurso escrito ou oral, do período histórico no qual ele foi produzido. Ele busca descobrir as regras do discurso de momento histórico específico e relacioná-las à análise do conhecimento e do poder. A importância do discurso é fundamental porque está intimamente ligada a ideologias que se utilizam do discurso escrito e/ou oral para atingir seus objetivos. Por isso, Foucault considera que o poder produz a “verdade,” assim, a verdade ou não de um discurso, reflete as ideologias que o produziram (SARGENTINI & NAVARRO, 2004).
As discussões de Foucault trouxeram a linguagem para o centro do poder social e das práticas sociais, e é nesse ponto que “se encontra o papel social da linguagem e da literatura como poder hegemônico,”(BONNICCI, 2005, p. 224), especialmente porque a literatura teve um grande papel para os colonizadores: aquele de difundir suas ideologias, enquanto elemento educacional, e parte integrante de Aparelhos Ideológicos do Estado, conforme Althusser (1985), uma vez que de acordo com Gramsci as ideologias são transmitidas através de instituições sociais. Althusser analisou a dialética entre as idéias e a existência material, e introduziu novas perspectivas à discussão sobre ideologias, sobre como elas são internalizadas, sobre como as pessoas aceitam e internalizam idéias dominantes, sobretudo porque elas expressam os interesses de grupos sociais, mas ao mesmo tempo agem através e sobre os indivíduos ou “sujeitos.” A questão da internalização das ideologias dominantes e a ab-rogação da própria cultura pode ser vista no romance de Emily Brontë, O morro dos ventos uivantes (1847), embora a autora não comungue com a postura dos seus compatriotas e a denuncie no seu único romance. Os pontos até agora discutidos – embora muito brevemente – provocaram uma revolução em diversas áreas do saber, dentre elas a crítica literária. Ela percebeu que a história não apenas oferece “background para o estudo de textos, mas forma uma parte essencial do significado textual; assim, textos ou representações têm que ser vistos como fundamentais para a criação da história e da cultura,” como observa Loomba (1998, p. 40; minha tradução livre). Assim, a análise do discurso possibilita a descoberta de conexões entre o explícito e o implícito na retratação das relação entre o dominante e o marginalizado dominado, entre idéias e instituições. Loomba lembra também que a análise do discurso permite que se perceba “como o poder trabalha através da língua, da literatura, da cultura e de instituições que regulam nossa vida diária” (p. 41). Desde o lançamento em 1975 de Orientalism (2003) de Said, estudos sobre o discurso colonial têm analisado uma gama de textos e práticas em diversos campos, tais como, mapas, museus, cinema, literatura, diários de viagens dentre outros, na tentativa de desmistificar a imagem estereotipada do “outro” representada sob o viés ideológico do olhar colonial, como visto no romance de Charlotte Brontë, Jane Eyre (1847), através da imagem da mulher da colônia, a louca do sótão, Bertha Mason.
Uma das estratégias da crítica literária pós-colonial é a releitura – a outra é a reescrita que não será discutida neste trabalho - isto é, textos clássicos da literatura são analisados da perspectiva do colonizado, do “outro,” para revelar suas implicações no processo colonial, visando descobrir “no texto não apenas os paradigmas estéticos mas também, e especialmente, sua origem na realidade social e cultural” (BONNICCI,
2005, p. 52). No caso da releitura pós-colonial da peça A tempestade (1611), de Shakespeare, pode-se desvendar diversas estratégias de colonização e resistência. A peça foi escrita em um período onde a Inglaterra se voltava para suas colônias na América - as quais viriam a formar os Estados Unidos - com mais intensidade. É provável que a fonte de inspiração do autor tenha saído de algum conto de um representante do imperialismo espanhol, por exemplo, de “Antônio de Eslava, da coleção Las noches de invierno, publicada em Madri, em 1609,” como sugere Claret (2005, p. 11), o qual lembra ainda que algumas fontes subsidiárias são conhecidas, dentre elas, a referência às “Bermudas tempestuosas” na peça indica que Shakespeare leu “as relações do então recente naufrágio de George Sommers, quando levava os primeiros colonizadores à Virgínia. Essa viagem se deu em 1609,” e em seguida, surgiram diversas narrativas sobre o assunto. Claret lembra ainda que “o nome Setebos é tirado de Settaboth, divindade dos patagônios mencionada na History of Travaile, de Éden (1577), que conta a viagem de Magalhães pelos mares do sul.” A questão da busca pela fonte de inspiração de um autor não costuma ser vista com bons olhos pela academia, mas por outro lado, nesse caso de discussões sobre uma perspectiva pós-colonial, constitui-se um fator importante, até certo ponto, uma vez que possibilita rastrear o contexto no qual obras forma produzidas, e o que influenciava a sociedade na qual elas foram produzidas, de modo a unir com Antônio Cândido (2000), o externo que se torna interno na feitura da obra. Mas, voltando a peça, percebe-se que de posse dessas informações, Shakespeare “apenas” adicionou o fato de que a ilha era habitada antes da chegada de Próspero, o que deu a sua estória o status de alegoria do encontro colonial. Isso revela que embora o discurso oficial exclua muitas vezes a presença de nativos ou os reduza à condição de seres inferiores que precisam ser civilizados e cristianizados, o conhecimento colonial era produzido também através da negociação com os nativos ou da incorporação das suas idéias, ou seja, havia sim uma certa relação de dependência, não assumida, do saber nativo – este sendo desqualificado oficialmente – para o controle da nova terra e de seus segredos, conforme observado na fala do personagem Calibã: Esta ilha é minha; herdei-a de Sicorax, minha mãe. Roubaste-me; adulavas-me, quando aqui chegaste; fazias-me carícias e me davas água com bagas, como me ensinaste o nome da luz grande e da pequena, que de dia e de noite sempre queimam. Naquele tempo, tinha-te amizade, mostrei-te as fontes frescas e as salgadas, onde era a terra fértil, onde estéril... (A tempestade, Ato I, cena 2).
Próspero considera seu conhecimento da ilha como “descoberta,” ou seja, a idéia de “descoberta” no contexto colonial significava inclusive a apropriação do conhecimento dos nativos. Aqui Calibã recupera a própria voz - no sentido de que desafia a figura do colonizador/Próspero – e a história pregressa na ilha. Nesse discurso, ele responde ao homem branco europeu, denunciando a usurpação e a não observância da lei local de herança que coincide com a européia. Para Bonnicci (2000, p. 56), ao denunciar a atitude de Própero, Calibã revela a sedução (hipocrisia e traição) da qual foi vítima: “Enquanto Próspero ensina o nome dos corpos celestes (que Calibã não pode ter como seus), o nativo, seduzido e ingênuo, deixa-o nomear os objetos da ilha; nomeando-os, o europeu conhece a terra e, logicamente a possui.” Esse ato de dar nomes, confere a Próspero a condição de conhecedor e dominador inclusive do que está fora da terra.
Na realidade, essa peça que durante muito tempo foi vista como um drama romântico, ou como uma discussão sobre a supremacia do conhecimento do homem branco sobre a natureza, sobre as forças do mal e sobre os selvagens, ou ainda como um texto anti-colonial que mostra os esforços do escravizado Calibã, está profundamente relacionada ao desenvolvimento e a formação do discurso colonial de modo geral. Um símbolo disto é o fato de que o nome Calibã, Caliban em inglês, é um anagrama de “canibal,” o qual tem sua origem, segundo Loomba (1998, p. 747; minha tradução livre), na palavra latina “canis” (cão). Isso reforça a idéia propagada – muitas vezes falsamente – de que nativos de terras recém descobertas pelos colonizadores eram canibais, caçadores como cães, e que tratavam suas vítimas ferozmente, como predadores. A tempestade traz à tona idéias da época em que foi escrita, relacionadas à suposta bestialidade ou a falta de civilidade dos não–europeus, mas ao mesmo tempo confunde o leitor sobre a posição de Shakespeare em relação à maneira como ele apresenta tais questões, isto é, se reforça as atitudes dominantes em relação à raça e à cultura dos colonizados, ou se critica tais fatos. O que se percebe é que o autor tinha uma profunda compreensão da condição de subalterno imposta ao colonizado, conforme visto no discurso do personagem que dura apenas umas poucas linhas na cena 2, do ato 1. A construção de uma imagem estereotipada para os povos colonizados é uma ferramenta importante na construção da ordem tanto interna quanto externa à metrópole, porque, dentre outros pontos, distorce a condição primeira do subjugado - o que refletiria a atuação impiedosa do colonizador - e impede que seus pares colonizadores sintam-se sensibilizados pelo jugo imposto ao colonizado. O estereótipo colonial, segundo Loomba (1998, p. 79; minha tradução livre), comumente representa o colonizado “como um (geralmente de pele escura, como Heathcliff, em O morro dos ventos uivantes, e Otelo) estuprador que vem desflorar a mulher branca que, por sua vez, passa a simbolizar a cultura européia.” Uma das primeiras figuras na literatura colonial inglesa a representar isso é Calibã, o qual Próspero acusa de tentar estuprar sua filha Miranda; a concretização desse ato era temida inclusive porque poderia resultar em hibridismo, ou seja, na temida contaminação do “puro sangue” inglês. Esse processo é interessante, porque, como mostra Loomba, ele opera de forma reversa o tropo do colonialismo-como-estupro, e desse modo, muda o foco da violência do
colonizador para o colonizado. Assim, a figura do negro estuprador é compreendida como uma “reação ao estupro imperial, ou uma patologia das raças escuras, ou até como um esforço europeu para racionalizar a culpa colonial,” como analisa a autora (p.79), e por isso, se torna uma característica comum e até necessária, além de permanente, da paisagem colonial tão representada na literatura colonial inglesa. A figura de Calibã tornou-se símbolo de luta contra o imperialismo inglês na Índia, onde a literatura inglesa foi a princípio utilizada como Aparelho Ideológico do Estado inglês para convencimento das massas indianas da sua suposta inferioridade. Loomba (1998, p. 90; minha tradução livre) afirma que a literatura inglesa, especialmente Shakespeare, tem servido para conscientizar tanto indianos quanto africanos na luta pela igualdade. Essa dinâmica é simbolizada pelas palavras de Calibã: “A falar me ensinaste, em verdade. Minha vantagem nisso é ter ficado sabendo como amaldiçoar. Que a peste vermelha vos carregue, por me terdes ensinado a falar vossa linguagem” (A tempestade, Ato I, cena 2). Calibã de certo modo ensaia um rompimento – embora no aspecto verbal - com a condição de subalterno e ridiculariza a aprendizagem da língua européia que comumente é encarada como elemento civilizador, e uma “vantagem” para o colonizado. Bonnicci (2000, p. 57) observa que “há muito discute-se o poder do ensino da língua e da literatura européias na construção do império britânico como forma de cerceamento e de inscrição imperial no nativo,” assim como é visto em Robinson Crusoe e denunciado por Emily Brontë em O morro dos ventos uivantes. A tempestade leva o leitor a inferir que os ingleses consideram o nativo selvagem, e o fato de ensinar-lhe a língua inglesa é como se estivesse oferecendo o elo entre o pensamento e a palavra, para de certo modo forçá-lo a ab-rogar a própria cultura e língua como o fez Heathcliff. Todavia, Calibã usa a língua do opressor para amaldiçoá-lo, subvertendo a intenção do seu opressor. Esse tipo de análise de textos literários com um viés político, conforme proposto pelas teorias críticas pós-coloniais e feministas, tem encontrado resistência dentro da própria área de Humanidades, no que se refere à estudos literários. Os estudos literários humanistas têm resistido “à idéia de que a literatura (ou pelo menos a boa literatura) tenha algo a ver com política,” como mostra Loomba (1998, p. 69; minha tradução livre). Isso tem acontecido porque acredita-se que a literatura é subjetividade, é individualidade, é pessoal, é universal, mas acima de tudo transcendental, por isso, a autora observa que as relações entre colonialismo e literatura não eram, até
recentemente, objetos de crítica literária. Essa postura tem mudado, e críticos do discurso colonial têm abordado questões tais como colonialismo, raça, gênero, dentre outros, e tem provocado reconsiderações sobre esses termos. Essa atitude era de se esperar, sobretudo se for considerado o papel chave da literatura para os discursos colonial (como visto brevemente acima) e anti-colonial (a exemplo da literatura anticolonial, tal como, Wide sargasso sea (1966) da jamaicana de origem inglesa Jean Rhys, em sua reescrita de Jane Eyre; e ainda Marise Condé, da ilha caribenha de Guadalupe, com seu Corações Migrantes (1995), que reescreveu O morro dos ventos uivantes, ambas sob o ponto de vista do colonizado; ou textos produzidos por autores da antigas colônias, tais como The palm-wine drinkard (1952) de Amos Tutuola e Things fall apart (1958), de Chinua Achebe. Esse viés político de análise, pode-se dizer que teve início com a crítica feminista, em virtude disto, criou-se uma importante relação entre os estudos pós-coloniais e os estudos feministas, sobretudo porque, como mostra Bonnicci (2005, p. 231) “há uma analogia entre patriarcalismo/feminismo e metrópole/colônia ou colonizador/colonizado,” uma vez que a mulher da colônia é colonizada tanto pelo patriarcado quanto pela metrópole. Além disso, uma mulher da colônia representa uma metáfora da mulher como colônia. No universo da presença das ideologias imperialistas na literatura inglesa, observase um caso clássico de associação da figura da mulher à figura da colônia, e/ou vice e versa. Um texto poético que aparentemente pode ser visto como voltado para o interior, ou que lida com questões de natureza privada, em detrimento da pública, tal como o poema de 48 linhas “To my mistres going to bed,” de John Donne, se lido através das lentes das intersecções entre as teorias críticas feministas e pós-coloniais, revela a metáfora da mulher como colônia, e da figura do patriarcado como a do colonialismo, e do homem como colonizador. O poema, cujo título sugestivo “Para minha amante indo para a cama” (minha tradução livre), tem início com um atraente chamado do amante para a cama, “Come, madam, come, all rest my power defy;” nove linhas depois ele diz “tell me from you that now it is bed-time.” A imagem do casal indo para a cama e as sedutoras palavras do eu lírico que se expressa numa linguagem lânguida e sedutora, cria um ambiente sensual entre os dois amantes, cujas imagens ganham formas diante do leitor: “Your gown going off such beauteous state reveals” na linha 13, e fortalece a imagem da cama com “In this love’s hallow’s temple, this soft bed” na linha 18. É apenas na segunda estrofe que o leitor percebe a analogia entre a figura da mulher e a da colônia, e o amante claramente passa a demarcar seu espaço privado pela expansão do mundo exterior. Donne trabalha o relacionamento dos amantes como uma comparação entre a interação entre colonizador e terra colonizada, ou seja, com a terra que ele “descobre,” como visto nesse trecho do poema:
License my roaving hands, and let them go,
Before, behind, between, above, below.
O my America! My new-found-land,
My kingdom, safeliest whem with one man man’d,
My myne of precious stones: My Emperie,
How blest am I in this discovering thee.
Na primeira linha desse trecho do poema, que na realidade corresponde às linhas de 25 a 30, o eu lírico “pede” licença para suas mãos circularem “antes, por trás, entre, por cima, e por baixo (linha 2), revelando que a sedução do corpo da mulher que representa a terra por ele recém–descoberta, deve ser dominado através de um elemento de conquista sutil e que promova a passividade, e a associação de ambos. Na linha três “Ò, minha América! Minha nova-terra-encontrada,” é aqui que o leitor, de fato, descobre a relação da figura da mulher com a da colônia, e percebe a idéia de posse em relação ao continente, como se vê na linha quatro que ele inicia dizendo “Meu reino;” na quinta “Minha mina de pedras preciosas, Meu Império,” e finaliza na sexta “Quão abençoado eu sou em te descobrir” (minha tradução livre). As palavras que revelam o sentido de posse estão entrelaçadas com a visão imperialista do eu lírico, o qual revela seus interesses econômico, imperial, e a estratégia de apagamento da história pregressa da América, bem como da existência de seus legítimos donos e habitantes, sugerindo que o local estava vazio quando da sua chegada. Observa-se que Donne ecoa outras vozes do império que percebem os relacionamentos sexuais e coloniais como análogos. Loomba (1998, p. 73; minha tradução livre) ao comentar o poema, diz que o amante “é o descobridor ativo do corpo feminino, e deseja explorá-lo da mesma forma que os ‘aventureiros’ europeus que penetram e se apossam de terras que são vistas como passivas, ou esperando serem descobertas.” A autora observa ainda que o corpo da mulher funciona como uma promessa de natureza sexual e indica a riqueza prometida pelas colônias. O amante/colonizador seduz a mulher/colônia, controla o seu corpo/espaço da nova terra pelo poder do toque/sedução ou apelo sexual/qualquer elemento que promova a passividade do colonizado. Para a autora, essa analogia de que a mulher representa a terra mostra a lógica reversa de que as terras ricas/as colônias, “significam tanto as alegrias do corpo feminino quanto seu status enquanto objeto que legitimiza a possessão masculina” (p. 73).
Na realidade, o que Donne faz é unir as imagens da exploração sexual, da qual a mulher é vítima, com o colonialismo global do século XVII. Além disso, esse poema mostra como a psicologia literária masculina cria paralelos entre a sexualidade feminina e a conquista de outros mundos. As mãos ativas do amante podem ser compreendidas como a passagem do colonizador pelo território recém-descoberto por ele, mas ao mesmo tempo ressaltam a imagem da virgem desflorada pelas experientes mãos do amante, revelando um aspecto da exploração e da inobservância de limites. A mulher seria um território não mapeado que o colonizador precisa desvendar, e conhecer por todos os lados. É possível inferir que para Donne, exploração e conquistas são fortes características do masculino, enquanto que a mulher, seduzida por elementos do poder de conquista masculino, não parece oferecer resistência, mas submete-se docilmente aquele encontro, simbolizando o que o colonizador esperava dos povos das novas terras. Como pode ser visto, o encontro colonial não se reflete apenas na linguagem ou na imagem de textos literários, “não é apenas uma circunstância ou ‘contexto’ contra os quais os dramas humanos são encenados, mas um aspecto central do que esses textos têm a dizer sobre identidade, relacionamentos e cultura,” segundo Loomba (1998, p. 72; minha tradução livre). O papel da literatura colonial ou não tem promovido uma postura binária entre o que é europeu e o ‘outro’ não-europeu; Said (2003) sugere isso principalmente porque essa questão faz parte da política de autoridade colonial, a qual é responsável por promover a ordem interna e a externa à metrópole. A fabricação da imagem de si mesmos como superiores, e a do ‘outro’ como inferior, funciona como estratégia de manutenção da autoridade, uma vez que mexe com o consciente coletivo inclusive, tanto de colonizador quanto de colonizado, numa busca constante pela superação dos próprios medos, refletido na necessidade de impor-se e controlar o desconhecido, através da distorção da imagem do ‘outro,’ do diferente, como se vê em O morro dos ventos uivantes. O morro dos ventos foi escrito em um período de expansão e consolidação dos ideais imperialistas ingleses. Essa obra já foi analisada por diversos críticos sob diferentes pontos de vista: marxista, psicanalítico, cultural, feminista. Ela revela uma profunda sutileza ao retratar pontos, tais como, o medo da sociedade imperialista inglesa de ser conquistada, dominada e misturada com forças consideradas inferiores, em seu próprio território, uma vez que o enredo (que envolve questões tais como a ameaça de hibridismo, o medo da revolta do colonizado contra seus algozes) se passa dentro da própria Inglaterra e não numa colônia distante. Brontë promove a união da figura do outro oprimido, isto é, a mulher, com essas forças alienígenas representadas por Heathcliff, e subverte a ideologia imperialista inglesa utilizada para lidar com essas questões. Através do amor não concretizado entre o cigano de pele escura Heathcliff e a inglesa Cathy, Brontë contesta o posicionamento dos seus compatriotas ao promover a união dos excluídos, dos “outros,” isto é, a mulher e o homem de uma raça considerada inferior pelos ingleses do seu tempo. O romance pode ser considerado como uma obra que subverte a noção de literatura como elemento de difusão de ideologias imperialistas, pois a autora simpatiza com a condição do colonizado e outremizado homem estrangeiro, e a associa à própria condição feminina em relação ao patriarcado. A figura de Heathcliff não serviria como um alerta contra os perigos da
presença do estrangeiro subalterno na sociedade inglesa como se poderia pensar, na realidade, Brontë reconhece o papel de alteridade do cigano estrangeiro marginalizado e lhe confere um espaço e uma voz, ao denunciar sua condição de oprimido. Na realidade, ciganos têm tido um papel chave no imaginário europeu; têm sido freqüentemente demonizados, exotizados - o que acontece com Heathcliff. Na realidade, o papel, o lugar, a identidade do cigano, representam medo para o homem branco europeu, em especial do século XIX; o misticismo à sua volta aliado à sensualidade que lhe é atribuída, bem como a suposta inferioridade de sua raça são vistos como uma ameaça à ordem social e familiar, como ilustra Brontë. Todo o romance é recheado de expressões que demonstram a ideologia imperialista e o preconceito do inglês com outra forma de cultura que não a sua. O trecho a seguir exemplifica a questão da desqualificação do idioma nativo de Heathcliff; a criada afirma que ele repetia uma “algaravia que ninguém conseguia entender [logo que foi trazido]. Fiquei atemorizada e a Sra. Earnshaw estava prestes a pô-lo porta a fora. Ela exaltou-se, perguntando que idéia fora aquela do marido de trazer para casa aquele cigano” (O morro dos ventos uivantes, 1971, p. 40); um exemplo clássico de desqualificação do idioma nativo do “outro.” Todo o passado de Heathcliff foi gradativamente apagado de sua memória, e sua diferença de cor e de classe social passaram a ser lembradas constantemente. Ele termina por adotar um discurso não politizado, mas, a princípio, de submissão. Contudo suas ações se revestem de cunho político, pois opressão, poder, ódio e vingança andam juntos nessa obra. Esse cigano Heathcliff é o “outro” que “invade” o território e o “conquista” quando ganha a afeição do patriarca e de Cathy, apropriando-se assim, de um terreno perigoso. Entretanto, o estigma de inferioridade cultural e racismo contribuem para degeneração dele devido à posição de liminalidade que passa a ocupar nessa sociedade, pois é a figura do inglês branco e “civilizado” que cria sua condição de alteridade - uma das formas de controle imperialista. Hindley – único irmã de Cathy, representa o pensamento do homem inglês e conseqüentemente da ideologia imperialista, pois sua primeira medida após a morte do pai é privar Heathcliff de todo e qualquer acesso à educação. Ele “tirou-o da companhia de todos para metê-lo entre os criados, privou-o das lições do pastor, substituindo-as por trabalhos fora, exigindo dele o mesmo trabalho dum empregado da granja” (O morro dos ventos uivantes, 1971, p. 50). Sua forma de não perder o controle dos bens para um cigano, é dominálo, oprimi-lo, negar-lhe acesso à educação e colocá-lo numa posição de inferioridade. A opressão, o silêncio e a repressão impostos por Hindley a Heathcliff são o resultado de ideologia da Metrópole que define o que é “sujeito” e o que é “objeto” como forças opostas. Heathcliff é o “outro” que vive em uma sociedade branca, entretanto perde sua identidade cultural. Sua solidão é uma marca no romance – ele é isolado do seu povo, da sua história e da sua cultura. Ashcroft (1991) afirma que aparentemente há um consenso entre os teóricos do pós-colonialismo no sentido de que “o senso válido e ativo do ser poderia ter sido aniquilado pelo deslocamento, pela migração...pela translocação ou pela remoção ‘voluntária’ de pessoas” (apud BONNICI, 2000, p. 211). Isso é o que acontece com Heathcliff, como conseqüência de seu encontro com o centro imperial que lhe impôs o silenciamento e a marginalização; ele ab-roga gradativamente seu idioma e sua cultura, adota o idioma do opressor e imita a cultura estrangeira que lhe é imposta como superior. Entretanto, Said (1995) chama a atenção para o fato de que o deslocamento de pessoas pode ser visto como ironia, pois ela pode se tornar um ponto positivo de contestação do sistema imperial, e é esse processo que acontece com Heathcliff. Essa obra se reveste de um caráter cada vez mais atual à medida que os séculos passam, sobretudo porque é um retrato preciso da vida, pelos elementos históricos que retratam o papel da mulher na sociedade e na família, ou pelos personagens deslocados por raça ou sexo, em um universo patriarcal e imperialista, visto que uma das grandes características dos séculos XIX e XX, que permanece no XXI, é o grande número de pessoas deslocadas e exiladas, como conseqüência de conflitos pós-coloniais e imperialistas.
A literatura inglesa foi produzida num ambiente de constantes mutações einterações desde a antiguidade, e refletem encontros interraciais. O que se percebe é que ela teve um papel central na história colonial, e nela estão eternizadas nuances daqueles períodos coloniais e seus desdobramentos, o que inclui a desvalorização dos sujeitos coloniais ou não, mas também encontra-se autores que desafiam as regras do colonialismo/imperialismo do seu próprio país. Nota-se também como textos literários têm sua importância como material para análise e compreensão da própria história, sobretudo porque, no caso da literatura colonial, e sobretudo da produzida no século XIX pelos ingleses, Spivak (1990) destaca que não seria possível ler um texto literário inglês daquele século sem lembrar que o imperialismo, compreendido como a grande mission civilatrice, era parte central para a construção da representação da Inglaterra para os próprios ingleses. Obviamente não apenas do século mencionado, mas da história daquele país enquanto Império colonial ao longo de séculos. A literatura produzida em períodos coloniais ou não, mas principalmente nessas tem refletido seu importante papel na tentativa de impor valores, crenças, ou seja, a cultura inglesa e européia ao nativos como sendo superior e como medida padrão a ser seguida. Posteriormente tornou-se um elemento, tanto no interior das colônias quanto na própria metrópole, de manutenção do controle, pela imposição de ideologias de superioridade e inferioridade para mascarar a verdadeira intenção do império inglês que era a exploração econômica e material das colônias, e uma forma de controle das massas domésticas ou não à metrópole, no sentido de ensinar aos ingleses a serem e agirem como ingleses, e aos nativos a serem nativos e agirem como tal.

BIBLIOGRAFIA

AUSTEN, Jane. Mansfield park. New York: Penguin Books, 1994. ALTHUSSER, Louis. Aparelhos ideológicos do Estado. 4ª edição. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1985.
BONNICCI, Thomas. Conceitos-chave da teoria pós-colonial. Maringá: UEM, 2005.
(Coleção Fundamentum, no. 12)
_____. O pós-colonialismo e a literatura: estratégias de leitura. Maringá: UEM, 2000.
ANAIS DO II ENCONTRO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA COLONIAL.
Mneme – Revista de Humanidades. UFRN. Caicó (RN), v. 9. n. 24, Set/out. 2008. ISSN 1518-3394. Disponível em www.cerescaico.ufrn.br/mneme/anais
BONNICCI, Thomas & ZOLIN, Lúcia Osana (orgs). Teoria literária: abordagens históricas e tendências contemporâneasMaringá: UEM, 2005.
BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes. Rio de Janeiro; Editora Abril, 1972.
BRONTË, Charlotte. Jane Eyre. In: GILBERT, Sandra M. & GUBAR, Sandra. The Norton anthology of literature by women: the traditions in English. 2nd edition. New York: W. W. Norton & Company, 1996
CÂNDIDO, Antõnio. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. 8 ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 2000.
CLARET, Martin. Introdução. In: SHAKESPEARE, William. A tempestade. São Paulo:
Martin Claret, 2005.
CONDÉ, Marise. Corações migrantes. Rio de Janeiro: Rocco, 2002.
DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé. Lisboa: Publicações Europa/América, s/d.
DONNE, John. “To my mistress going to bed.” In: DONNE, John.
LOOMBA, Annia. Colonislism/postcolonialism. New York: Routledge, 1998.
Oxford Advanced Learner’s Encyclopedic Dictionary.London: OUP, 1995.
RHYS, Jean. Wide Sargasso sea. In: GILBERT, Sandra & GUBAR, Susan. The Norton anthology of literature by women: the traditions in English. 2nd ed. New York: W. W. Norton & Company, 1996.
SAID, Edward W. Orientalism. 25th anniversary edition. New York: Vintage Books, 2003.
_____. Culture and imperialism.New York: Vintage Books, 1994.
SARGENTINI, Vanice ¨NAVARRO-BARBOSA, Pedro. M. Foucault e os domínios da linguagem: discurso, poder e subjetividade. São Carlos; Editora Claraluz, 2004.
SPIVAK, Gayatri C. The post-colonial critic: interviews, strategies, dialogues. New York: Routledge,1990 (Sarah Harasym editor).
SHAKESPEARE, William. A tempestade. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

APS - 5º/6º semestre - Cultura e Literatura Britânica

O objetivo das Atividades Práticas Supervisionadas (APS) é relacionar a teoria com a prática: os conhecimentos desenvolvidos na sala de aula com a prática docente.

Com esse fim, na disciplina Cultura e Literatura Britânicas, os temas apresentados na sala de aula serão desenvolvidos e aprofundados neste blog, com o propósito de discutir com os alunos de que maneira essa nova forma digital das redes sociais pode ser utilizada com fins pedagógicos.

As obras que serão analisadas e discutidas aqui serão:

TEMA 1 - LEANDRO

TEMA 2 – Beowulf – GRUPO DO HENRIQUE

TEMA 3 – Canterbury Tales: Chaucer (The Miller) – GRUPO DA ÍSIS

TEMA 4 – Shakespeare: Romeo and Juliet – GRUPO DA RAFAELLA

TEMA 5 – Pride and Prejudice: Jane Austen – GRUPO DA EMANUELLE

TEMA 6 – Romantic Poets: William Blake, John Keats, Lord Byron, William Wordsworth, Samuel  Coleridge, Percy Shelley. – GRUPO DA YARA

TEMA 7 – The Dead – James Joyce – GRUPO DA JOANA

TEMA 8 – Chimamanda Adichie: The thing around your neck - LEANDRO

segunda-feira, 18 de junho de 2012

“O ensino de língua Inglesa e os Parâmetros Curriculares Nacionais ( PCN) para a área de linguagens, códigos e suas tecnologias. Multi – Word Verbs”




Universidade Paulista
Disciplina: APS
Professor: Leandro Rodrigues
Data: 26/04/2012
Turma: LL5P30





 “
O ensino de língua Inglesa e os Parâmetros Curriculares Nacionais
( PCN) para a área de linguagens, códigos e suas tecnologias.
Multi – Word Verbs”





Danyelle da Silva Lau – A632CI-0
Eva Aguiar -
Giovanna D’Ângela Rossi - A52558-0
Isis Freitas Corrêa - A41ADG-6
Leidiane Sousa Silva – A6205E-8
Pamela Ferreira Alves – A601HH-6



Brasília
2012



 Danyelle Lau, Eva Aguiar, Giovanna D’Ângela Rossi, Isis Freitas Corrêa, Leidiane Sousa e Pamela Alves.






O ensino de língua Inglesa e os Parâmetros Curriculares Nacionais
( PCN) para a área de linguagens, códigos e suas tecnologias.
Multi – Word Verbs”





Trabalho de Atividade Prática
Supervisionada de curso de
 graduação apresentado no
curso de Letras Português/ Inglês,
na Universidade Paulista – UNIP,
 Campus Brasília.
Orientador: Leandro Dias





Brasília
2012


Índice

Introdução....................................................................................................................... 1
Fundamentação Teórica................................................................................................... 2
Capítulo I – O Aprendizado da Língua Inglesa.................................................................. 3
Capítulo II – Desenvolvendo o projeto............................................................................. 4
Anexos............................................................................................................................ 6
Considerações Finais....................................................................................................... 9
Referências Bibliográficas.............................................................................................. 10
Referências Eletrônicas ................................................................................................. 11

 

Introdução
           
            Às vezes músicas são ouvidas uma vez só, e ficam na mente o dia todo, os jingles, por exemplo, são criados justamente para que nos lembremos do produto       . Pode-se dizer que a música age como grande aliada no ensino e na aprendizagem, para aquisição de segunda língua. Por meio da música o professor pode introduzir um tema novo, terminar outro, ou até mesmo utilizá-la no meio de um projeto para ressaltar o assunto. Ou seja, a uso desse método é de grande importância, pois motiva o aluno a participar inteiramente da aula, com da música é possível promover prática do vocabulário de forma ativa, transformando a aula em um aprendizado lúdico, dinâmico e motivador.
O objetivo do presente trabalho é realizar análise da aplicabilidade dos Multi-Word Verbs em músicas de língua inglesa a fim de esclarecer de forma interacional a correta utilização do adverbio, verbo e preposição na estrutura frasal.  A música é uma linguagem universal, usada para a comunicação, inspiração, educação e  entretenimento o que  possibilita uma melhor aprendizagem  intuitiva, agindo como grande aliado na aquisição da segunda língua auxiliando o aluno a compreender melhor a estrutura gramatical da língua estrangeira.

Fundamentação Teórica

Na concepção Vygotskiana (1994), é através de uma lógica interacionista entre o indivíduo e o meio que ocorre o desenvolvimento humano, isto é, no processo de interação com o mundo físico e social, suas dimensões, cultural e interpessoal, do qual faz parte desde o seu nascimento, é que o sujeito se constitui e se liberta. Nesse processo, o indivíduo ao mesmo tempo em que internaliza as formas culturais, as transforma e intervém em seu meio.
Segundo Krashen (1987) há uma distinção entre o estudo formal e uma assimilação natural de idiomas. O aprendizado não depende de receitas didáticas, mas sim de explorar situações comunicativas autênticas.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais foram elaborados com o intuito de respeitar as diversidades regionais, culturais e politicas, considerando a necessidade de instituir referencias nacionais comuns ao processo educativo em todo o Brasil (p.6).

Capítulo I – O Aprendizado da Língua Inglesa

            Para o PCN, realizar  inclusão de uma área no currículo deve ser determinada pela que desempenha na sociedade, pois somente uma parcela da população tem oportunidade de utilizar a língua estrangeira como instrumento de comunicação. A aprendizagem de língua estrangeira pode ajudar no desenvolvimento integral de letramento do aluno, levando – os a uma nova percepção. A língua estrangeira no ensino faz parte da construção de cidadania.
Segundo Vygotsky (1994), o aprendizado interacionista é realizado de forma espontânea, na qual os indivíduos trocam informações de acordo com a afinidade, conhecimento de mundo e situação comunicacional.
Tendo em vista a necessidade de abordar o tema Multi- Word Verbs com os alunos do ensino fundamental II de uma escola particular do DF, optou-se por trabalhar com a metodologia musical, na qual de acordo com Hutchinson e Waltes em English for Specific Porposes (1987, p.8): “O aluno tem diferentes necessidades e interesses, os quais têm grande influência na sua motivação para aprender, e consequentemente, na eficiência de seu aprendizado.”      
Há mais facilidade para o aluno desenvolver seu aprendizado quando a tarefa que lhe foi atribuída é do seu interesse. Dessa forma, e de acordo com a faixa etária proposta, a música é um dos principais meios de interação para com o discente, já que se pode mesclar diversão com aprendizagem. Exemplo: No caso do projeto apresentado, é mostrada ao aluno uma música com a qual possui familiaridade, sendo seu aprendizado mais efetivo.

Capítulo II – Desenvolvendo a aprendizagem
                                                                                                                                             
            Segundo Paulo Freire a curiosidade insere na busca a procura do conhecimento sendo necessário estimula-lo a fim de motivar o interesse do aluno para a proposta apresentada. A aula inicia-se com a explicação do tema, esclarecimento de possíveis dúvidas e exposição de exemplos, logo depois a metodologia a ser usada para essa inserção será através de exercícios nos quais os alunos receberão impressas letras de músicas e posteriormente será realizado um listening com aplicação de atividade em que será vinculado com o tema Multi–Word Verbs com correção coletiva. As atividades que serão trabalhadas estão em anexo desse projeto.
Isso permitirá ao aluno um melhor aproveitamento na aprendizagem utilizando ferramentas com as quais possui similaridade.
As músicas aplicadas serão: Look after you e Never Say never da banda The Fray e a música Look out for my Love da cantora Neil Young. Essas forão escolhidas, pois os alunos gostam muito e com certeza chamará atenção dos mesmos para atividade proposta, além de falarem de um tema muito atual e específico, “amor”.
            Os Multi – Word verbs são divididos em: Prepositional Verbs (Verb + Adverb), Phrasal verbs (Verb + Preposition) e Phrasal-Prepositional Verbs (Verb + Adverb + Preposition). É normal eles terem mais de um significado, e o mais importante é saber que, alguns requerem um objeto direto, e outros não, uns podem ser separados pelo objeto direto, outros não.
·         Prepositional Verbs – Inseparáveis
·         Phrasal Verbs – Divididos em: Transitivos (precisa de objeto direto) e intransitivos (não precisa de objeto direto)
Os Transitivos podem ser Separados e os Intransitivos não podem ser separados

·         Phrasal-Prepositional Verbs – Inseparáveis
Alguns exemplos de multi – Word verbs:

Prepositional Verb
Look after - Cuidar de algo, tomar conta
Who is looking after the baby? (quem está cuidando do bebê?)

Phrasal Verb

Look up - Buscar ou procurar
por alguma referencia
You can look up my number in the telephone directory.
(você pode procurar meu telefone na lista)


Phrasal-Prepositional Verb

Look forward to - Mal vê a hora, esperar com ansiedade.
look forward to meeting you.
(Mal vejo a hora de te conhecer)


Atividades


 

01- Fill in the blanks after listening to the song and write in the box which are Prepositional verbs and which are not. Maybe, you can find a phrasal verb or a phrasal – prepositional verb. 

Look After You – The Fray

 

If I don't say this now I will surely break
As I'm leaving the one I want to take
Forgive the urgency but _________________________ and wait
My heart has started to separate
Oh, oh, oh
Oh, oh, oh
Be my baby
I'll ________________________________ you
There now, steady love, so few come and don't go
Will you won't you, be the one I always know
When I'm losing my control, the city spins around
You're the only one who knows, you ______________________________
Oh, oh, oh

Oh, oh, oh
Be my baby
I'll ________________________________ you
If ever there was a doubt
My love she leans into me
This ____________________________ counts
She says _____________________________
Oh, oh, oh
Oh, oh, oh
Be my baby
I'll ___________________________ you, after you
Oh, oh, oh
Oh, oh, oh
Be my baby
It's always have and never hold
You've begun to _____________________ home
What's mine is yours to leave or take
What's mine is yours to make your own.

Prepositional Verbs

Other Words


 


 


 


 


 


 


 

 

 

 

 

 

 

02- Now, listen to the song and write in the box which are Phrasal - Prepositional verbs and which are not. Maybe, you can find a prepositional verb or a phrasal verb.

Look out  for my  love - Neil Young
There's a ____________________ burns
There's an open mind.
________________________________ my love,
________________________________  my love
________________________________  my love,
_________________________________ my love
You own it
You own it now
You ____________________________.
There's a _________________________ you
But you can't feel it
Livin' like I do
It's hard for you to _________________________.
Was I hurt too bad
Can I show you daylight
How could I __________________________
When I know that you might.
___________________________ my love,
___________________________ my love
___________________________ my love,
___________________________ my love.
It's in your neighborhood
I know things are _______________________________
But I can't say bad or good.

There's a lot to learn

For wastin' time

Look out for my love

Phrasal Prepositional Verbs

Other Words


 


 


 


 


 


 


 

 

 

 

 

 


               03- Complete the spaces and then write in the box which are Phrasal Verbs and which are not. Maybe, you can find a prepositional verb or a phrasal – prepositional verb.

Never say Never – The Fray

Some things we don't talk about
Rather do without
And just hold the smile
Falling in and out of love
Ashamed and proud of
Together all the while
You can never say never
While we don't know when
____________________________  time again
Younger now then we were before
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________
Picture you're the queen of everything
Far as the eye ______________________________
Under your command
I will be your guardian
When all is crumbling
I'll ________________________  your hand
You can never __________________________
While we don't know when
Time, time and time again
Younger now then we were before

Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________,
Don't ________________________________________
We're falling apart  

And _______________________________ again and again
We're growing apart
But we ___________________________ together,
Pull it together, together again.

Phrasal Verbs

Other Words


 


 


 


 


 


 
















Considerações Finais
            Está comprovado que na educação uma das melhores formas de se trabalhar é com o uso da música. É um método muito efetivo, pois estimula o corpo, a audição, a função cognitiva e a emoção. Dessa maneira pode-se dizer que a música e os jogos lúdicos estão ligados à autoconfiança e a motivação.
            Ou seja, a utilização de música no aprendizado o torna mais fácil, pois se acredita que a tradução não é necessária para se modificar informações em conhecimentos significativos.

Referências Bibliográficas

MURPHY, R. Essential Grammar in use: A self-study reference and practice book for elementary students of English. 40ª ed. Cambridge University Press, 1990. Appendix 5 p. 222 and 223.

HUTCHINSON, Tom; WATERS, Alan. English for specific purposes. 22ª ed. Cambridge University Press, 1987.

Referências Eletrônicas

www.scribd.com/doc/4007449/Multi-Word-Verbs
        Data de acesso: 26/04/2012 às 14:35

www.sk.com.br/sk-twow.htm
        Data de acesso: 26/04/2012 às 15:22

www.dicasdadinda.com.br/site/index.php?option=com_content&view=article&id=235:apreendendo-com-a-musica-&catid=43:palavra-de-especialista&Itemid=44
        Data de acesso: 24/05/2012 às 15:15

portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/pcn_estrangeira.pdf
        Data de acesso: 24/05/2012 às 17:36