quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Realidade da escola inclusiva e a luta dos surdos pela Escola Bilíngue.

A metodologia adotada por este grupo para elaboração deste projeto foi a visita a uma escola pública do Distrito Federal com caráter inclusivo, isto é, uma escola voltada também para a inclusão de surdos em escolas de ensino regular. Para isso, elaborou-se um questionário com a finalidade de conhecer o funcionamento do processo de inclusão no Centro Educacional 06 de Taguatinga. Assim, aos sete dias do mês de dezembro do ano 2011, um grupo de alunos do curso de Letras da UNIP visitou a referida escola para conhecer a estrutura de que essa dispõe para atender alunos surdos. O grupo foi encaminhado pelo diretor Laércio à sala da Professora Doutora Sandra Patrícia Faria Nascimento (Departamento de Linguística da Universidade de Brasília – UnB) que juntamente com as professoras Juliana Nista e Gisele são responsáveis pela ministração das aulas de língua portuguesa e biologia, respectivamente, para os alunos surdos do Centro Educacional 06 de Taguatinga (Ced 06).
A sala utilizada para a entrevista é a mesma utilizada com os alunos para as aulas de língua portuguesa. Foi possível notar que a sala é pequena, organizada e asseada. As carteiras estão dispostas num semicírculo para favorecer a interação entre os alunos e também, com as professoras. A sala apresenta ainda uma lousa branca, um armário geral no canto e um Datashow que, segundo a professora Sandra, é utilizado em praticamente todas as aulas. Além disso, o ambiente possui pouca luminosidade, porém é aconchegante.
      A entrevista deu-se de forma descontraída e informal, uma vez que a professora dispunha de pouco tempo para responder ao questionário, este seria respondido e enviado posteriormente por e-mail. O primeiro tópico abordado foi a questão dos diferentes métodos de ensino para os diferentes tipos de surdo (o surdo oralizado, o surdo implantado e o surdo sinalizante). A professora Sandra Patrícia discorreu sobre as peculiaridades de cada tipo de surdo frisando que os dois tipos primeiros conseguem adaptar-se ao atual sistema regular de ensino, pois acompanham as aulas ministradas em língua portuguesa utilizando, por exemplo, a leitura labial como estratégia. Entretanto o aluno surdo sinalizante necessita de um ambiente específico para apreender os conteúdos ministrados pelos professores, isto é, ele precisa de um intérprete da Língua Brasileira de Sinais, mas também o uso do intérprete não é eficaz, pois os alunos ficam acostumados a terem as aulas e provas interpretadas de forma "mastigada" e não aprendem a pensar, assim afetando o rendimento cognitivo.
A professora Sandra Patrícia citou o Projeto Português para Surdos (POPS) – projeto este pioneiro na educação de surdos que conta com duas professoras em sala de aula simultaneamente, das quais uma ministra as aulas, enquanto a outra elabora as atividades que são aplicadas. O projeto foi encabeçado pela professora Sandra Patrícia juntamente da professora Juliana e foi iniciado por volta de dois anos atrás e tem sido oferecido no Ced 06 para os alunos do primeiro ano do ensino médio e foi expandido no Centro de Ensino Fundamental 4 de Taguatinga, em que os alunos são preparados efetivamente para ingressarem no ensino médio, visto que a inclusão não surge efeito real e os alunos chegam despreparados no ensino médio. Há também o interesse de se expandir para Escolas da redondeza. 
Segundo a professora Sandra, o projeto POPS é baseado na teoria de Krashen, a qual ensina o aluno a partir de um nível acima dele para forçá-lo a se desenvolver. Fundamenta-se em três princípios ou objetivos básicos:
·         Proporcionar o desenvolvimento da autonomia do aluno surdo;
·         Estimular e desenvolver a sua consciência crítica e criativa (“ensiná-lo a pensar”);
·         Estimular à escrita e aprendizagem da língua portuguesa como segunda língua.
A metodologia adotada no projeto POPS é denominada pela própria professora Sandra como “Texto pinçado em sentido expandido”, que trabalha com palavras “pinçadas” do texto com fins de destrinchar a polissemia intrínseca nos vários sentidos contidos em cada vocábulo.
Essas professoras também trabalham em um projeto a favor da Escola Bilíngue que é uma escola que ensina a LIBRAS como primeira língua e uma língua de instrução.
Em setembro/2011, ocorreu o Setembro Azul em que os alunos lutam por essa escola que realmente os acolha para um ensino de qualidade.
 A seguir, está o anúncio do evento Setembro Azul e o questionário a respeito do modo de funcionamento da escola inclusiva no DF respondido pela professora Gisele.




Questionário – Projeto “Letras no Poder – o poder das letras no processo de inclusão.”

1. De acordo com a LDBEN de 1996, “O atendimento especializado aos educandos com necessidades especiais se fará não só gratuitamente como também na escola comum. Somente nos casos extremos é que se justificaria a oferta de vagas em escolas especiais. O texto legal privilegia o atendimento em classes comuns de alunos e não trata de casos clínicos.” Esta afirmação vai ao encontro da filosofia da Comunicação Total que enxerga a interação social como parte do aprendizado de pessoas surdas. Todavia, hoje ainda há traços, por parte de ouvintes, de uma visão anacrônica ou até mesmo preconceituosa contra os surdos. O ensino nas escolas especiais não seria, de fato, o melhor caminho para a apreensão de conhecimento dos surdos e com o fim de privá-los de reações discriminatórias?
Resposta da professora: As escolas denominadas especiais trabalham muitas vezes com conteúdos reduzidos e os alunos surdos estudam entre alunos com outras deficiências.  Deve-se destacar que a maioria dos alunos surdos não apresenta nenhum comprometimento cognitivo, portanto, não necessita de escolas especiais, mas de escolas que atendam as suas necessidades educacionais, culturais e particularmente suas necessidades linguísticas.
2. Segundo Goldfield, a partir de 1970, o bilinguismo está se tornando a filosofia de educação para surdos mais veiculada, pois trabalha com o ensino da língua de sinais separadamente do oralismo. Porém, a filosofia da Comunicação Total traz a vertente da junção de várias áreas como, por exemplo, a interação social e a datilologia, trazendo a possibilidade do surdo aprender de diversas formas. O que faz que este método de aprendizagem, bastante abrangente, seja “depreciado” em relação ao bilinguismo?
Resposta da professora: A comunicação total surgiu após o fracasso do oralismo e, como o próprio nome diz, a comunicação total é uma mistura de gestos criados pelos surdos, língua de sinais, fala, leitura orofacial, alfabeto manual, leitura e escrita na tentativa de realizar a comunicação com o surdo. Enquanto o bilinguismo respeita a língua natural do surdo, que é a língua de sinais de seu país. O bilinguismo tem como pressuposto básico que o surdo deve ser bilíngue, ou seja, deve adquirir a língua de sinais como primeira língua e a língua oficial de seu país (no caso do Brasil, a língua portuguesa em sua modalidade escrita) como segunda língua.
O modelo educacional do bilinguismo percebe o surdo de forma bastante diferente dos adeptos da Comunicação Total. Para eles o surdo faz parte de uma minoria linguística e não precisa almejar uma vida semelhante ao ouvinte, podendo assumir sua surdez.

3. O aluno surdo deve frequentar o sistema regular de ensino porque é um cidadão com os mesmos direitos que qualquer outro. Em relação a esse direito,
3.1  Qual é a estrutura quanto aos recursos humanos, físicos e materiais da escola?

Resposta da professora: A escola comum visa atender a todos, mas na prática os recursos humanos, físicos e materiais são voltados para atender a maioria, que, nesse caso, não é surda.
Em sua grande maioria, a escola comum carece de: a) profissionais capacitados para a educação de surdos (professores fluentes em língua de sinais e que conheçam as necessidades específicas do aluno surdo); b) estrutura física adequada aos alunos surdos (por exemplo, podemos citar a campainha da escola para entrada e saída de turno que é sonora. Desconheço uma escola pública que atenda alunos surdos e possua sinal luminoso para esse fim); e c) materiais e recursos didáticos apropriados ao ensino-aprendizagem de alunos surdos.

3.2  Na escola, os alunos normalmente são alfabetizados antes de aprender a LIBRAS, ou há uma integração desde a pré-escola ou qualquer outra série?

Resposta da professora: Na escola comum, quando o professor é capacitado, normalmente ensina português e Libras paralelamente. E, assim, o aluno não aprende nem libras e nem português, porque, se ele não tem uma língua para a comunicação, como irá aprender outros conteúdos? Portanto, de acordo com a proposta do bilinguismo, o aluno surdo necessita primeiro aprender a língua de sinais, pois sendo a maioria dos surdos filhos de pais ouvintes, ele só terá acesso à língua de sinais na escola em contato com o professor ou com seus pares surdos.

3.3  Os professores que recebem o aluno surdo têm conhecimento da LIBRAS?
Resposta da professora: Nem todos.

3.4  A escola fornece garantia de complementação curricular para inclusão em sala comum? Qual tipo (sala de recursos, professores itinerantes ou intérprete de LIBRAS)?

Resposta da professora: Conforme a orientação do MEC e da SEEDF, as escolas que atendem alunos surdos possuem atendimento educacional especializado _AEE na sala de recursos, professores intérpretes e professores itinerantes. As escolas não possuem intérpretes profissionais e fluentes em língua de sinais, mas sim professores que participaram de cursos de Libras e atuam como professores intérpretes. Portanto, a falta de fluência na língua de sinais compromete todo o processo de escolarização dos surdos.

3.5  As turmas com inclusão de alunos surdos atende a quantidade necessária de alunos estabelecida (não tenha mais de 25 alunos incluindo o integrado)?

Resposta da professora: Na maioria das escolas sim.

3.6  A escola faz um trabalho sistemático visando à participação da família? Como?

Resposta da professora: Não há um trabalho sistemático para esse fim, o que acontece são ações esporádicas, como oficinas de língua de sinais para a família, encontros para sensibilização, palestras e reuniões de pais. 


Mais informações no site: http://www.feneis.com.br/setembroazul/

Grupo: Alex, Cleylton, Emanuelle, Henrique, Maria Clara, Mario, Verônica.

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